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Vamos discorrer acerca de uma das tarefas obrigatórias do nutricionista escolar, tanto em instituições públicas quanto privadas. É de suma importância acompanhar o estado nutricional para identificar o perfil da população atendida e adequar os cardápios às suas necessidades. Além disso, é preciso encaminhar os casos diagnosticados com sobrepeso ou obesidade para acompanhamento médico e nutricional.

 

Legislação relacionada o acompanhamento do estado nutricional 

 

A resolução nº 465/2010, do Conselho Federal de Nutrição (CFN), estabelece a avaliação, diagnóstico e acompanhamento nutricional como a primeira tarefa obrigatória do nutricionista no âmbito do programa de alimentação escolar. O artigo 3º, inciso primeiro, do referido documento determina que “compete ao nutricionista vinculado à entidade executora no âmbito do programa de alimentação escolar, exercer as seguintes funções obrigatórias”. O mesmo inciso menciona que o nutricionista deve “realizar o diagnóstico e o acompanhamento do Estado nutricional, calculando os parâmetros nutricionais para atendimento da clientela”. Assim sendo, Educação Básica, ensino fundamental, ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA) compõem essa clientela. Dessa forma, o nutricionista deve utilizar os resultados da avaliação nutricional e as normativas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) como base para definir os parâmetros a serem seguidos.

 

Periodicidade e avaliação

 

É evidente que o acompanhamento nutricional dos alunos exige, no mínimo, duas avaliações anuais. Uma única avaliação pontual não permite a análise do estado nutricional ao longo do tempo. Por essa razão, é fundamental realizar uma avaliação no primeiro semestre e outra no segundo semestre, a fim de permitir a comparação e a observação da evolução dos alunos. O nutricionista responsável pela execução do programa de alimentação escolar deve determinar as medidas a serem aferidas, que devem incluir, no mínimo, peso e altura. Essas medidas são essenciais para avaliar índices como peso para altura, altura para idade, peso para estatura, bem como para calcular o IMC e traçar as curvas correspondentes, dependendo da idade da criança.

Existem programas que podem auxiliar no cálculo do estado nutricional dos alunos, dispensando a análise manual e utilizando ferramentas como o Excel, por exemplo. Entretanto, é necessário o mínimo de habilidade com o Excel para o lançamento dos dados, uma vez que a Organização Mundial de Saúde (OMS) oferece programas gratuitos para esse fim. Exemplos de programas ofertados são o Anthro para crianças de 0 até 5 anos incompletos e o WHO Anthro Plus para crianças e adolescentes de 5 a 19 anos.

Os dados coletados devem ser exportados do Excel em formato CSV para o uso nos programas da OMS. Esses programas são disponibilizados através do site da Organização Mundial de Saúde. Eles são uma grande ferramenta para análise de populações, permitindo tanto análises individuais quanto acompanhamento de uma população. Isso é especialmente útil na alimentação escolar, onde é necessário avaliar o estado nutricional de uma grande quantidade de alunos.

 

Amostragem

 

Ao lidar com uma população ampla, é essencial que se utilize uma amostragem adequada para obter um extrato preciso do que está ocorrendo. Felizmente, existem sites que auxiliam na determinação da amostra necessária para atingir esse objetivo.

Além disso, é crucial direcionar atenção especial às crianças em risco de sobrepeso e obesidade. O nutricionista deve encaminhá-las para avaliação médica ou nutricional no setor de saúde municipal. Portanto é importante notificar o PSE para garantir que essas crianças recebam atendimento adequado.

 

Equipamentos necessários para o acompanhamento do estado nutricional

 

Para realizar essas medidas, é necessário primeiro definir quais ações tomar e, a partir disso, adquirir os equipamentos necessários. Por exemplo, se for necessário medir peso e estatura, é importante adquirir equipamentos como balanças, antropômetros e infantômetros ou réguas. Para medir crianças menores de 2 anos com menos de um metro, será necessária a aquisição de uma balança pediátrica.

Outra consideração importante é avaliar se é realmente necessário ter um aparelho em cada Unidade Escolar ou se é viável realizar a avaliação por amostragem ou na totalidade utilizando menos equipamentos. A instituição deve garantir que adquira equipamentos com o selo do Inmetro e que os calibre periodicamente, independentemente da abordagem escolhida.